Assunto dificil. Na concepção simples e rasa de perdoar 70 veze 7,
caímos, no mundo em que vivemos, no uso… no abuso de quem usa e
abusa. Tem de haver critério e este DEVE obedecer nosso entendimento
atual, por culpa de nos violarmos. Somente compreendendo, entendemos
nossos limites. Ninguem dá saltos evolutivos, por isso, TUDO é um
aprendizado em um avanço gradual.
Se mal nos fazem e permitimos sua perpetuação (olha o dificil
aquí), estamos dando vez ao desrespeito que se estenderá a outros.
Assim, não seríamos responsáveis também por este avanço do mal?
De uma, tudo obedece a um plano divino, ou seja, quando bem
compreendido, sabe-se que o mal apenas alcança aonde o cabe, onde
pode pegar ou se alojar… de outra, que este mesmo mal pode ser
apenas produto de ignorância, que certamente, ao seu autor, levará
a um aprendizado maior. Mas como estamos longe de sermos perfeitos e
termos um completo entendimento de um todo…!!!
...é um assunto longo.
Somente se perdoa quando após o prejuízo, nunca antes. O perdão é
pós e não pré. Somente após a ofensa é que temos a oportunidade
de perdoar. E isso não nos impede de estarmos em “estado de
perdão”, ou seja, sempre predispostos a compreender a titude do
outro. Mas, este estado não credencia que se deva sempre estar de
cabeça baixa esperando, aguardando a pancada. O indivíduo tem o
direito e até a obrigação de se defender. O valor do perdão está
na não mágoa, do não rancor e da compreensão...sempre! Quase
sempre, ao nos colocarmos no lugar do ofensor, compreendemos seus
impulsos e suas dificuldades e, quando não e também por esta
atitude, damos graças por não sermos assim… ou não sermos mais
assim. Por termos mais equilibrio, mais compreensão e mais força.
O fato de se “dar a outra face” noa significa o auto-sacrifício,
mas sim o caso de não estarmos na posição do ofensor, ou mesmo
tomar a atitude que o mesmo toma por revide. É preferivel ser morto
que assassinar. Ser roubado que roubar…!!! É isso que quer dizer
esta expressão. Se assim noa fosse, indo pelo entendimento literal,
teríamos uma vida de total sacrifício e ausencia e isso não está
credenciado pela moral Cristã. Ao contrário! Temos de lutar pelo
que é certo.
Por essas e outras que muitos apontam certas incoerencias, do tipo,
“nao vim trazer a paz”… ou “colocar o pai contra o filho e o
filho contra o pai”. Oras, onde se encontra o perdão dos sete
vezes setenta se entender de forma literal este dizer? Sem a
coerencia não se chega a lugar mais pautado ou firme de um bom
entendiemento.
Na verdade, não se pode servir a Deus e a mamom ao mesmo tempo. Ou
seja, ou se pauta a vida na forma material, ou na espiritual. Se
calcar na espiritual, certamente estará bem longe da material, ou
seja, sem grandes ganhos...uma vida com simplicidade e modesta. Se
for fundo nisso verá que para “ganhar a vida, a perderá”… uma
boa dose de renuncia vai ser o ponto mais certo no avanço de uma
compreensão mais espiritual. Como atacar suas dificuldades pessoais
senão ou, quando sempre, somente com uma boa dose de resignação?
Se for entender de forma literal, jamais chegará ao entendiemento de
que temos de ter a resignação necessária com nós mesmos, mas sem
nunca deixar de lutar pelo bom sentido das coisas num geral.
Em uma maior compreensão, vendo que o mal é apenas um retorno, uma
nova oportunidade de resgate, passamos a entender a justiça de uma
forma bem mais ampla e, é justamente esta forma mais ampla que nos
guia ao encontro de praticar um verdadeiro perdão. Não somos os
coitadinhos inocentes ofendidos, mas sim, na certeza de certa parcela
de culpa no acontecimento e, olha aí o desenvolvimento espiritual:
na escolha do sentido de sua vida, de em qual lado estar...quais as
opções tomadas! Tudo acaba se encadeando. Uma coisa puxa ou
facilita a outra.
Mas, nos resguardarmos a saber os nossos limites é atitude
responsavel e equilibrada. Saber ate onde podemos ir nos dá a
segurança de mais avançar no futuro...sem retroceder ou estacionar.
Temos a obrigação de noa nos ultrajarmos. De noa fazer aquilo que
em nós ainda não cabe por efeito de um bom descontentamento a nos
perturbar mais tarde. Perdoar sem qualquer limite, já estando ANTES
disposto a nada fazer quanto a qualquer atitude ofensiva é nos
desobrigar quanto ao equilibrio geral, daquilo e daqueles que nos
cercam e ate mesmo de protege-los. É justamente nisso que cabe o BOM
COMBATE.
Perdoar jamais poderá ser pela negligencia, mas sim pela
responsabilidade. Os limites importam, pois veja, como encontraríamos
o caminho mais reto, mais certo, se todos os nossos erros fossem
perdoados no modelo do esquecimento..ou “zerado”? O perdão está
no ato de se posicionar sempre a um entendimento, quando o outro ver
o erro, mas nunca em compactuar com. A importancia do perdão é
tanta que, sem o praticar, não o poderemos ter. O “é dando que se
recebe” é muito mais profundo do que pensamos! Nos remete a leis
de Deus, onde em causa se terá sempre um efeito e, consequentemente,
a responsabilidade deste. E o é única e exclusivamente para
aprendermos e crescermos cada vez mais, mas nunca pela punição.
Este é o maior e verdadeiro valor do perdão: de termos o direito a
ele por praticarmos.
E fica aquela: Se não temos erro, não precisaremos de qualquer
perdão e, por não precisarmos, também não veremos a necessidade
de perdoar… por noa perdoar, já temos o nosso erro.
Marcio Marques
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